Confira aqui o e-book que a DarkSide preparou para comemorar o aniversário do nosso querido escritor Poe.
"Desaparecido precocemente aos 40 anos, Edgar Allan Poe já ultrapassou dois séculos de seu nascimento em posição privilegiada, responsável não somente por influenciar alguns dos escritores decisivos das décadas seguintes, bem como por estabelecer com propriedade caminhos novos e férteis para a literatura ocidental do então século XIX. Esta edição reúne o seu poema mais famoso, “O corvo”, em sua versão original, junto com as clássicas traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa, e uma análise de Poe feita por Charles Baudelaire, seu tradutor e um dos principais divulgadores de sua obra na Europa, acompanhadas das ilustrações de Édouard Manet."
Sabemos que já postamos todas essas versões de "O Corvo" aqui no blog, mas a diagramação feita pela DarkSide Books † está fantástica, vale a pena conferir.
Há muito tempo atrás postamos um especial de Halloween dos Simpsons que homenageia Edgar Allan Poe. Hoje(31 de outubro - Halloween!!!) trazemos novamente o vídeo, desta vez completo, em português (acho que é a única série que ninguém aguenta ver legendada). Curtam ai.
Quem gosta de literatura e cultura em geral não pode deixar de conhecer o site Literatura. Críticas inteligentes e bem construídas, novidades em geral, sempre atualizado. Ninguém mais ninguém menos que Edgar Allan Poe que foi tema da seção A Hora do Poema da semana passada, isso só pra dar um gostinho. Vale a pena conferir.
Edgar Allan poe, o escritor mais carismático que esta terra já viu [óbvio, na minha opinião. E neste sentido aqui; Que sabe seduzir as multidões, que goza junto delas de um grande prestígio. Poe não é apreciado apenas pelos seus escritos. Mas pela sua conturbada e insana vida. Poucos escritores são tão unânimes e apreciados como ele. Há um respeito em citá-lo, um silêncio admirador quando “Edgar Allan Poe” entra em discussão. Seja por O Corvo, seja pelo Gato Preto ou pelo detetive Dupin. Poe [na minha opinião, mais do que Byron [e explico porque]] é o estereótipo do poeta. Esquisito, louco, decepcionado e óbvio, genial com as palavras. Conhecedor de uma técnica absurda. Estudioso entusiasmado de tudo aquilo que lhe interessava [algo que pode-se perceber no próprio O Corvo: “Eu, ansioso pelo sol, buscava/ Sacar daqueles livros que estudava”. Tentarei dizer porque acredito ser Poe mais “poeta” do que Byron [não em obra, mas em “personalidade”]; Byron, pelo que consta em suas biografias, fazia diferente por justamente querer ser diferente. Dava festas absurdas, fazia ménages por querer ser diferente [óbvio que isso já fazia ele diferente, mas...]. Poe era diferente. Diferente de uma maneira trágica. Sem pedir para ser. [por favor, não estou rebaixando Lord Byron – o qual tenho profunda admiração -, estou apenas expondo uma observação pessoal].
Outra coisa me agrada em Poe é sua profunda sinceridade quanto a obra. Em, A Filosofia da Composição, onde também fala do poema “O Corvo”, ele descreve minunciosamente sua maneira de compor a obra. Afirma, sem deixar margem nenhuma para questionamento, que seu trabalho não é acidente, intuição, inspiração do momento, “poesia do coração”. Pelo contrário, foi criado com uma rígida precisão. Tal como se resolvesse um problema matemático. Quero deixar claro que isso não desmerece a poesia – como julgam alguns -. Pelo contrário, a exalta. Pois é preciso o uso da arte e da lógica[técnicas] para criar um poema [conto, novela, livro] memorável. É necessário uma reflexão acerca do que foi escrito [diferente daquilo que pregam muitos artistas profissionais; “ai, fui guiadu pelo meu core. Eu sou assim; um mistu de inspiração com poesia”. Essas coisas só servem pra entrevista. Na prática, nem alguns poemas de Fernando Pessoa, que muitos julgavam ser feito no calor da inspiração, eram, de fato, “coisa do momento”. Isso faz apenas parte da lenda do genial poeta português.
E não falei dele sem querer. Muitos sabem que há, entre várias, duas traduções que se destacam de O Corvo. A do próprio Fernando Pessoa e a do brasileiro mais importante da literatura; Machado de Assis. Eu, particularmente, escolhi a de Machado, pois prefiro a versão dele. Deixo claro que é uma escolha completamente pessoal e ‘arbitrária’. Não há nenhuma comparação ou parâmetro técnico. Apenas o meu gosto mesmo haha. [Selecionei a parte final, pois o poema é demasiado grande. Linko-o integralmente abaixo]
O corvo tem uma musicalidade perceptível ao longo de todo o texto. Sua métrica é exata e perfeita [dentro daquilo que o autor propõe]. As rimas são sempre apropriadas e usa-se de combinações fonéticas para a criação de um ritmo constante [que só ajuda na propagação do tom do conto; triste, lamurioso]. É difícil não captar a insanidade do eu lírico. Não necessariamente por ele falar com um corvo [oi?!], mas pelas coisas que são ditas. Pela dualidade constante; “ave ou demônio; profeta ou o que quer que sejas”. Profeta, demônio?
Além disso, a intimidade que o eu lírico cria com o leitor é palpável. Percebe-se que ele está ali. Ele é o poema. Não há nada escondido. Não há tentativa de ludibriar ou de disfarçar uma faceta. O eu-lírico diz; “esse sou eu” E sinceramente, se você o aceita ou não, pouco importa.
O tão famoso “nevermore” [nunca mais] do Corvo é, diretamente ligado ao fato de que; o eu-lírico jamais esquecerá Leonora, jamais se acalmará, jamais a beijará e também, que o próprio corvo jamais o deixará. Se entendermos que o Corvo simboliza a morte, vemos a morte como a eterna companhia do eu-lírico. Ele que já era louco, desvairado, sozinho, perdido, agora é semi-morto. E talvez, estar nesse estado seja pior do que ter morrido de fato. Vários críticos, inclusive Umberto Eco, dizem que as falas do Corvo vão muito além do que conseguimos descrever. É preciso senti-las através do contexto da poesia. Pois só assim entenderíamos – jamais explicar – o que elas significam tanto para nós quanto para o poeta.
O Corvo de Poe é assim; Criado como arte, apoiando-se na mais pura lógica, dentro da cabeça de um dos maiores gênios. O resultado, ilogicamente, é a dificuldade em descrever todas as nuances e detalhes de um dos poemas mais fabulosos já escritos. Saber que até a palavra “nevermore” foi escolhida a rígido dedo por causa de “[...] o longo como sendo a vogal mais sonora, acompanhado do r, a consoante mais producente” (POE, 2008, p. 23) e transformada em refrão pelo impacto já comprovado.
Esse com certeza foi o poema mais difícil de se comentar. Tanto pelo seu tamanho, quanto pela complexidade. Não consegui abarcar nem um terço daquilo que ele representa. No entanto, Poe como a “cara” do literatortura, merecia estar aqui. E acho válido, pois o texto contém informações interessantíssimas acerca da obra do gênio norte-americano. Que, obviamente, não é maior escritor [pelas obras], mas é o mais escritor [por quem foi, por como viveu e pelo que representa].
Numa sombria madrugada, enquanto eu meditava, fraco e cansado, sobre um estranho e curioso volume de folclore esquecido; enquanto cochilava, já quase dormindo, de repente ouvi um ruído. O som de alguém levemente batendo, batendo na porta do meu quarto. "Uma visita," disse a mim mesmo, "está batendo na porta do meu quarto - É só isto e nada mais."
Ah, que eu bem disso me lembro, foi no triste mês de dezembro, e que cada distinta brasa ao morrer, lançava sua alma sobre o chão. Eu ansiava pela manhã. Buscava encontrar nos livros, em vão, o fim da minha dor - dor pela ausente Leonor - pela donzela radiante e rara que chamam os anjos de Leonor - cujo nome aqui não se ouvirá nunca mais.
E o sedoso, triste e incerto sussurro de cada cortina púrpura me emocionava - me enchia de um terror fantástico que eu nunca havia antes sentido. E buscando atenuar as batidas do meu coração, eu só repetia: "É apenas uma visita que pede entrada na porta do meu quarto - Uma visita tardia pede entrada na porta do meu quarto; - É só isto, só isto, e nada mais."
Mas depois minha alma ficou mais forte, e não mais hesitando falei: "Senhor", disse, "ou Senhora, vos imploro sincero vosso perdão. Mas o fato é que eu dormia, quando tão gentilmente chegastes batendo; e tão suavemente chegastes batendo, batendo na porta do meu quarto, que eu não estava certo de vos ter ouvido". Depois, abri a porta do quarto. Nada. Só havia noite e nada mais.
Encarei as profundezas daquelas trevas, e permaneci pensando, temendo, duvidando, sonhando sonhos mortal algum ousara antes sonhar. Mas o silêncio era inquebrável, e a paz era imóvel e profunda; e a única palavra dita foi a palavra sussurrada, "Leonor!". Fui eu quem a disse, e um eco murmurou de volta a palavra "Leonor!". Somente isto e nada mais.
De volta, ao quarto me volvendo, toda minh'alma dentro de mim ardendo, outra vez ouvi uma batida um pouco mais forte que a anterior. "Certamente," disse eu, "certamente tem alguma coisa na minha janela! Vamos ver o que está nela, para resolver este mistério. Possa meu coração parar por um instante, para que este mistério eu possa explorar. Deve ser o vento e nada mais!"
Tradução em prosa por Helder da Rocha
Vi no blog da leitora Raissa Guilhon
Olá amantes dos extraordinários textos do Poe.
Aposto que a maioria de vocês já viram esse título em outro lugar, assim como eu já conhecia essa versão do
poema o Corvo adaptada para os Simpsons.
Mas esta versão aqui é a original (dublada em português) e completa, curtam:
OUTRAS TRADUÇÕES DE "O CORVO"
por GONDIN DA FONSECA
CERTA VEZ, quando, à meia-noite eu lia, fraco, extenuado, um livro antigo e singular, sobre doutrinas do passado, meio dormindo - cabeceando -, ouvi uns sons, trêmulos como se teve, bem de leve, alguém batesse à minha porta. É um visitante", murmurei, "que bate, leve, à minha porta, Apenas isso e nada mais."
Bem me recordo. Era em dezembro. Um frio atroz, ventos cortantes. Morria a chama no fogão, pondo no chão sombras errantes . Eu nos meus livros procurava - ansiando as horas matinais - um meio (em vão) de amortecer fundas saudades de Lenora - bela adorada, a quem, no céu, os querubins chamam Lenora aqui ninguém chamara mais.
E das cortinas cor de sangue, o arfar soturno e brando e vago causou-me horror nunca sentido - horror fantástico e pressago Então, fiquei (para acalmar o coração de sustos tais) a repetir: " alguém que bate, alguém que bate à minha porta, algum noturno visitante, aqui batendo à minha porta; é isso, é isso e nada mais.
A MEIA-NOITE AGRESTE, quando eu lia, lento e triste, curiosos tomos de ciências ancestrais, quase adormecia, ouvi o que parecia de alguem que batia levemente a meus umbrais. "E só isto, e nada mais."
Ah! que bem disso me lembro! Era no frio dezembro. E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Prá esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais - cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais!
Como a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo: É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; é uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. E só isto, e nada mais."
OUTRAS TRADUÇÕES DE "O CORVO"
por MACHADO DE ASSIS
EM CERTO DIA, à hora, à hora Da meia-noite que apavora, Eu caindo de sono e exausto de fadiga Ão pé de muita lauda antiga, De uma velha doutrina, agora morta, Ia pensando, quando ouvi à porta Do meu quarto um soar devagarinho E disse estas palavras tais: "E alguém que me bate à porta de mansinho; Há de ser isso e nada mais. "
Ah! bem me lembro! bem me lembro! Era no glacial dezembro; Cada brasa do lar sobre o chão refletia A sua última agonia. Eu, ansioso pelo sol, buscava Sacar daqueles livros que estudava Repouso (em vão!) à dor esmagadora Destas saudades imortais Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora, E que ninguém chamará jamais.
Esta é uma tradução literal feita do inglês para o português.
THE RAVEN
Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary Over many a quaint and curious volume of forgotten lore WhiIe I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping, As of some one gently rapping, rapping at my chamber door. Tis some visitor", I muttered, "tapping at my chamber door - Only this and nothing more."
Ah! distinctly I remember il was in lhe bleak December, And each separate dying ember Wrougbt its ghost upon lhe floor. Eagerly I wíshed the morrow; - vainly I had sought to borrow From my book surcease of sorrow - sorrow for lhe lost Lenore - For the rare and radiant maiden whom lhe angels name Lenore - Nameless here for evermore.
And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain Thrilled me - filled me wilh fantastic terrors never feld before; So thal now, to still the beating of my hearl, I stood repeating: Tis some visitar entreating entrance at my chamber door; This It is and nothing more."
O CORVO
UMA VEZ: eu refletia, à meia-noite erma e sombria, a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais, e, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruido, qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar. É alguém - fiquei a murmurar - que bate à porta, devagar; sim, é só isso e nada mais.
Ah! claramente eu o relembro! Era no gélido dezembro e o fogo, agônico, animava o chão de sombras fantasmais. Ansiando ver a noite finda, em vão, a ler, buscava ainda algum remédio à amarga, infinda, atroz saudade de Lenora essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora e nome aqui já não tem mais.
A seda rubra da cortina arfava em lúgubre surdina, arrepiando-me e evocando ignotos medos sepulcrais. De susto, em pávida arritmia, o coração veloz batia e a sossegá-lo eu repetia: "E um visitante e pede abrigo. Chegando tarde, algum amigo está a bater e pede abrigo. É apenas isso e nada mais.
A data de 29 de janeiro de 1845 marca a entrada definitiva de Edgar Allan Poe no
Panteão dos poemas imortais. Foi naquele dia o Evening Mirror publicou o poema
The Raven ("O Corvo"), que ficou perenemente ligado ao nome de seu autor, como
a Divina Comédia, ao nome de Dante, Os Lusíadas, a Camões, e As Flores do Mal,
a Baudelaire.
Como todos os poemas de Poe, "O Corvo" é um poema longamente trabalhado.
Há provas de que levou uns quatro anos com a fatídica ave empoleirada na mente
como empoleirada estava no busto de Minerva que figura no poema.
Quando os leitores da poesia, sob a influência do impacto emocional que ela lhes
causava, perguntavam a Poe como tivera a inspiração de tema tão intenso e tão
impressionante, o poeta, seguindo conhecido pendor seu de mistificador, dava
logo a entender que não houvera inspiração alguma, que tudo fora trabalho lógico,
desenvolvido pouco a pouco.
E após a publicação e o êxito enorme obtido pelo
poema, ele próprio tratou de provar como escrevera a poesia no seu famoso
ensaio A Filosofia da Composição.
Muitos não quiseram dar crédito ao que Poe confessava e achavam que a
intensidade do tratamento dado ao tema era um sinal de uma forte imaginação, de
uma rica inventiva, de uma inspiração ; criadora de grande ímpeto e vigor. A
observação feita pelo biográfo de Edgar Poe, Hervey Allen, é que parece mais
cabível para explicação do caso. Diz ele em Israfel, sua grande biografia de Poe:
O longo período em que decorre a composição de "O Corvo", periodo de quatro anos pelo menos, mostra que, no arranjo e composição dele, se processou grande quantidade de pensamento crítico, de análise artística , um arranjo lógico de efeitos e uma construção esmerada da narrativa central que nenhuma emoção simples poderia ter proporcionado. Nele é o plano deliberado dum contratema musical e os efeitos de assonância, rima e metro que mostram um conhecimento profundamente raciocinado da arte poética. Não pode haver a menor dúvida de que as imagens, em muitos casos engendram, aparentemente ao mesmo tempo, as palavras e os ritmos com que se exprimem. Mas afirmar que Poe era bastante artista para fabricar com êxito durante a longa elaboração do poema, aquelas partes em que tal inspiração não ocorria é apenas dizer que ele era um admirável poeta. Nenhum cantor lírico o igualaria nessa tarefa.
Em "Como Escrevi O Corvo", uma parte deste processo de raciocínio é bastante
acentuada sobre uma base crítica. Há valor nisto. Todo o assunto pode ser
geralmente resumido, dizendo-se que a escolha do material foi involuntária, mas
seu método de tratamento um um processo crítico, altamente raciocinado. Acima
e além de tudo isto, permanece o fato de que, no Corvo", a perfeita fusão desses
dois processos tornou-se uma unidade que resultou numa obra de arte. O
espectro do nada tinha sido dotado de uma forma memorável.
Com muita ou pouca inspiração, com muita ou pouca lógica, o certo é que o poema
se tornou famoso no mundo inteiro, provocando traduções em várias línguas e
várias na mesma língua, inclusive muitas em língua portuguesa, dentre as quais
Poe gozou o prazer indizível de identificar-se com a sua própria criação .
Trajando sempre roupas escuras, negras mesmo, ao aparecer
nos salões onde declamava o tétrico poema, identificavam-no com a ave pressaga.
Podemos imaginar quanto lhe era isso agradável.
O fato é que ele produzira um desses poemas imortais que ficam perpetuamente na
memória dos homens. Soube compô-lo com habilidade extrema, dosando muito
bem todos os efeitos, lançando mão de todos os artifícios que a arte poética lhe
proporcionava.
E é assim que, pelo ritmo, cadenciado, quase que isocronicamente;
pelas rimas interativamente espalhadas adentro do próprio poema, e, mais do que
tudo, pela atmosfera criada, conseguiu ele dar visão córporea àquelas sensações
angustiadas de medo, de pavor, de preságio fúnebre, que sempre lhe atenazaram a
mente e que palpitam toda a sua obra através de toda a sua vida.
A atmosfera é quase tudo nesse poema admirável e ela é como que metida
tenebrantemente em nosso espírito pelo reiterado estribilho do "Nunca mais", que
soa em todo o poema como um dobre fatídico de finados. Já se demonstrou que
outros poetas antes dele utilizaram o efeito impressionante desse "Nunca mais".
Nenhum, porém, como Poe lhe deu aquela intensidade de pesadelo que se irradia
dos seus versos.
União admirável de inspiração e de arte, ficou ele para todo o
sempre na história literária do Ocidente como um raro momento em que emoção e
pensamento se uniram para gerar essa coisa imortal que é a beleza.